Setor de borracha da região noroeste enfrenta crise com avanço de pneus importados

Setor de borracha da região noroeste enfrenta crise com avanço de pneus importados

As regiões de São José do Rio Preto e Votuporanga, responsáveis por grande parte da produção nacional de borracha, iniciaram a safra 2025-2026 com um cenário de incertezas. Apesar de o preço da commodity estar em alta no mercado internacional e de os seringais apresentarem boas condições de desenvolvimento, o setor produtivo local sofre com a concorrência de pneus importados, que têm ocupado o espaço da indústria brasileira e reduzido a demanda pelo látex nacional.

A Associação Paulista dos Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Apabor) alerta que a “enxurrada” de produtos estrangeiros, especialmente vindos da China com preços reduzidos, está sufocando a cadeia produtiva no país. Dados recentes mostram uma queda drástica na participação da borracha brasileira nas indústrias nacionais: há dois anos, o produto local atendia 70% da demanda; hoje, esse número caiu para apenas 34%. Enquanto países como Estados Unidos e México elevaram as taxas de importação para proteger seus mercados, produtores brasileiros cobram medidas semelhantes do governo federal para evitar que a produção apodreça no campo.

O problema é agravado pelo fato de que a safra deste ano promete ser recorde. Estimativas do Instituto de Economia Agrícola (IEA) indicam um crescimento de mais de 8% na produção paulista, que já concentra 60% do total nacional. Com o fechamento de fábricas de pneus no Brasil e a redução da capacidade produtiva de outras unidades, as usinas de beneficiamento, como as localizadas em Urupês, começaram o ano com estoques cheios pela primeira vez na história.

Especialistas e agrônomos explicam que o desequilíbrio não ocorre por excesso de árvores plantadas, mas sim pela queda brusca no consumo industrial interno. Com as chuvas favorecendo os seringais, a expectativa é de que a oferta de borracha aumente ainda mais a partir de março, o que deve gerar uma forte pressão para a queda dos preços pagos aos produtores rurais. Sem uma intervenção que equilibre a competição com o produto importado, o setor teme que esta temporada seja marcada pela sobra de matéria-prima e por prejuízos financeiros em uma das cadeias econômicas mais fortes do Noroeste Paulista.

André Padilha

Editor e Dono, Votuporanga Fatos.

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