Justiça determina interdição de creche em Rio Preto após denúncias de maus-tratos
A Vara da Infância e da Juventude de São José do Rio Preto determinou a interdição imediata de uma creche particular que está sob investigação por supostos maus-tratos contra crianças. A decisão, assinada pelo juiz Evandro Pelarin, baseou-se em indícios de violações de direitos, como condições de higiene inadequadas, falta de profissionais suficientes para o atendimento e o isolamento de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Até esta quinta-feira (18), a instituição continuava funcionando normalmente, apesar de não possuir a licença necessária para a atividade.
O caso ganhou repercussão nacional após um alerta inusitado: uma ex-funcionária da unidade escondeu bilhetes dentro de mamadeiras e vasilhas de lanche das crianças para avisar as mães sobre o que ocorria no interior da escola. A partir desse aviso, pelo menos dez famílias registraram boletins de ocorrência e apresentaram vídeos que comprovariam as irregularidades. Com a ordem judicial de tutela de urgência, as atividades foram paralisadas e os pais foram orientados a buscar seus filhos, enquanto a Vigilância Sanitária e a Secretaria Municipal de Educação acompanham o desdobramento do processo.
Na esfera criminal, o delegado Amaury Scheffer de Oliveira Junior confirmou a abertura de um inquérito policial para apurar o crime de maus-tratos. As investigações buscam entender se as situações flagradas nas imagens eram práticas recorrentes ou isoladas. A prefeitura também deve realizar vistorias técnicas no prédio para avaliar a estrutura e os riscos aos quais as crianças estariam expostas durante o período em que a creche operava sem autorização formal.
Em nota oficial, a direção da creche negou veementemente todas as acusações, classificando-as como inverídicas e fruto de uma divulgação distorcida por parte de ex-colaboradoras. Segundo a instituição, as imagens compartilhadas foram tiradas de contexto e não refletem os valores ou o padrão de cuidado adotado na rotina escolar. A defesa alega ainda que as situações pontuais já foram corrigidas e que as crianças nunca foram submetidas a qualquer tipo de violência ou situação degradante, reforçando que medidas legais já estão sendo tomadas para responsabilizar quem divulgou os vídeos sem autorização.

