Justiça condena integrantes de quadrilha ligada à “guerra dos bairros” em Rio Preto

Justiça condena integrantes de quadrilha ligada à “guerra dos bairros” em Rio Preto

A Justiça de São José do Rio Preto proferiu, nesta quinta-feira (18), uma sentença rigorosa contra os membros de uma organização criminosa envolvida na violenta disputa territorial conhecida como “guerra dos bairros”. Somadas, as penas aplicadas aos seis réus ultrapassam 50 anos de prisão, todos em regime inicialmente fechado. A decisão, assinada pela juíza Carolina Marchiori Bueno Cocenzo, encerra um ciclo de investigações sobre a onda de crimes que assustou a cidade entre o final de 2024 e o início de 2025.

Segundo a sentença, o grupo operava de forma estruturada para o tráfico de drogas, utilizando uma casa alugada no bairro Jardim dos Pássaros como centro de operações. No local, os criminosos armazenavam entorpecentes, planejavam novos ataques e ostentavam armas de fogo de uso restrito, chegando a publicar fotos e vídeos do armamento em redes sociais. A magistrada ressaltou que a periculosidade da quadrilha era evidente, contando inclusive com a participação de adolescentes e o uso de armamento pesado para intimidar facções rivais e moradores.

Entre os condenados, destaca-se a situação de um dos líderes, que recebeu a maior pena: 14 anos e seis meses de reclusão. Mesmo tendo ficado tetraplégico durante os confrontos da própria “guerra dos bairros”, a Justiça entendeu que ele continuou coordenando as atividades do bando e fornecendo armas aos comparsas de dentro de sua residência. Outro integrante foi condenado a mais de 11 anos de prisão, com a decisão reconhecendo sua participação direta no assassinato de um jovem de 19 anos, ocorrido em dezembro de 2024. Os demais envolvidos receberam penas que variam entre 4 e 9 anos, de acordo com o nível de participação e os antecedentes criminais de cada um.

A quadrilha havia sido desarticulada em janeiro deste ano, durante uma megaoperação da Polícia Civil realizada em uma chácara. Na decisão final, a juíza negou aos réus o direito de recorrer em liberdade, mantendo a prisão preventiva para garantir a ordem pública. Além das prisões, foi autorizada a destruição de todo o material apreendido, como drogas, munições e celulares. Para as autoridades de segurança, a condenação representa um marco importante no combate ao crime organizado na região, trazendo uma resposta oficial aos episódios de violência que marcaram a história recente do município.

André Padilha

Editor e Dono, Votuporanga Fatos.

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